terça-feira, 18 de agosto de 2009

Este não é um blogue politico, só que...

Não é minha intenção fazer deste blogue algo ligado à política, mas de vez em quando leio umas notícias que mexem comigo e com a forma com que vejo o mundo e em especial o meu país. No fundo, senti a necessidade de partilhar as minhas críticas (mesmo que ninguém as venha a ler). Assim, iludo-me de que alguém me há-de "ouvir" e concordar ou não comigo. Saí de Portugal à uns 2 anos e portanto sinto que agora posso falar do meu país, ainda mais e com mais conhecimento. Posso fazer comparações e deparar-me com a triste realidade de que esse país, que já foi o país dos conquistadores, dos descobridores, hoje infelizmente, não passa de uma reles sombra do passado. A incompetência impera, a corrupção governa, a ditadura (disfarçada, discreta) reina. Não estou num país perfeito (tal coisa não existe), mas estou agora, num país organizado, competente, justo. As coisas aqui funcionam, pagam-se bem, mas funcionam. Não há filas nos serviços públicos, somos atendidos de imediato e com bastante simpatia. Tentam ajudar-nos, esforçam-se para que sejamos bem servidos. E somos imigrantes, estamos no país deles, no entanto, não nos discriminam. Em Portugal, o próprio português sente a discriminação na pele. Em Portugal, o português é um alienígena.

"Portugueses têm de poupar para garantir pensões e reformas" ah pois é!

"Os portugueses que iniciarem uma poupança para a reforma agora vão ter de de poupar entre 10% a 29% dos seus salários para conseguirem garantir um nível de vida razoável no momento da reforma."
"Para que possam ter um bom pé de meia quando chegar a altura da reforma, os portugueses têm de arregaçar as mangas e começar a poupar mais (...). Em resposta aos desequilíbrios criados pelo aumento da esperança média de vida e a redução da natalidade, a nova fórmula de cálculo das pensões obriga a que os portugueses poupem entre 10% a 29% do seu salário para conseguirem manter pelo menos 80% do seu rendimento no momento da reforma, destaca o estudo." Expliquem-nos como. Não existem estudos sobre esse milagre? Sim, sobre como alguém que nao ganha sequer 500€ e que tem, por exemplo no meu caso, uma casa (198€ p/mês, sem incluir os seguros obrigatórios), um carro (85€ p/mês), luz (20€ p/mês), água (nunca menos de 15€ p/mês), o gás, a gasolina (o carro não anda a água sabiam?), o seguro do carro, o telemóvel (ui um luxo!), alimentação, vestuário, e o mais importante de tudo, uma filha com onze anos para sustentar, para educar, para fazer feliz (dentro da medida dos possíveis, claro). Portanto, façam lá as vossas contas. Como sei que não estou sózinha neste mundo, expliquem-nos lá como se faz essa poupançazita de 10% a 29%?Começamos a roubar ou a prostituimo-nos? E que tal fazermos as duas coisas? Bem, já ouvi dizer que o crime compensa e para exemplo temos o nosso governo. Vamos chegar a velhinhos sem eira nem beira. Com reformas miseráveis, enquanto os nossos governantes e não só, se estarão a "banquetear" com o que nos pertence. Portanto, sem dúvida, que esta notícia completa a anterior, Portugal é realmente, um país de muito prazer!

"Portugal é um país de prazer" óbvio!

"Num estudo levado a cabo em 19 países diferentes, Portugal ocupa o terceiro lugar do ranking dos países com maior índice de Quociente de Prazer. (...) prova-se assim que não existe uma relação directa entre os níveis de riqueza dos países e os índices de prazer. (...) O dinheiro não traz felicidade diz o provérbio popular português." Hoje deu-me um imenso prazer ler esta "notícia". Ponho-me a pensar se realmente o povo português é tão infeliz e miserável como parece. Ora se somos um país de prazer, de que nos queixamos nós todos os dias? Não compreendo. É um prazer trabalharmos mais de 40 horas semanais e recebermos nem 500€. É um prazer chegarmos ao dia 12 e andarmos a contar trocos para o resto do mês. É um prazer descontarmos todos os meses para sermos mal servidos pelo nosso país. É um prazer irmos a serviços públicos (Finanças, Segurança Social, etc, etc) e ficarmos horas infindáveis em filas infinitas para sermos atendidos. É um prazer quando finalmente somos atendidos e não nos resolvem o problema. É um prazer termos de pagar pelo prazer que nos proporcionaram ao sermos mal atendidos e mal servidos. É um prazer sermos punidos com juros de mora, taxas de justiça (justiça?), etc, pela EDP e os Serviços Municipalizados. É um prazer saber que quando precisamos de algo desses serviços, eles se atrasam sempre e nós não lhes podemos cobrar juros de mora (óbvio!). É um prazer depender da justiça portuguesa e seus tribunais, pagando avultadas despesas de custas judiciais e não sabermos, por exemplo, quando um simples processo irá para a frente e portanto quando terminará. É um prazer viver em Portugal, é um prazer imenso ser português. O prazer é tanto, que cada vez mais, aumenta a taxa de emigração. O português sente-se mal no seu próprio país e depara-se com a triste realidade que quem não é português é melhor atendido e servido. É um prazer sentirmo-nos obrigados a abandonar o nosso país por ele cuidar tão mal de nós. É um prazer sem dúvida viver em Portugal e ver todos os dias o povo português a sofrer (de tanto prazer) pelas decisões de um governo egoísta, hipócrita e ladrão. Muito mais teria eu para dizer, mas acho que ainda morreria de prazer se continuasse. Portanto, foi um prazer poder desabafar convosco. E verdade é, que o dinheiro não traz felicidade, mas ajuda. E portanto quando leio estas "notícias" sinto que de certa forma tentam manipular a mente dos portugueses, com estas histórias, sondagens, estatísticas fazendo crer que a vida não está assim tão mal, que as coisas não são assim tão difíceis, que as pessoas é que exageram. Enquanto isso, o Zé Povinho é que vai sofrendo na pele o imenso prazer de (sobre)viver em Portugal.